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sexta-feira, 18 de maio de 2018

(In)justificativas e (im)possibilidades do professor de educação física em adotar as lutas como unidade temática

Por Walter Reyes Boehl, Leonardo da Silva Lima, Denise Grosso da Fonseca

O tema lutas em unidades temáticas da educação física escolar não é recorrente nas aulas. Mesmo que documentos pedagógicos norteadores apontem para o seu uso, poucos são os professores que aproveitam. Esta pesquisa tem como objetivo identificar as dificuldades e impedimentos para empregar as lutas como conteúdo em unidades temáticas de educação física escolar, por docentes sem formação em artes marciais, bem como compreender como os professores percebem as dificuldades para inserir das lutas; demonstrar quais alternativas buscam para superá-las; verificar se essa cultura corporal de movimento vem se apresentando nas aulas. O método adotado foi de caráter qualitativo do tipo descritivo/exploratório, tendo como mecanismos de coleta de informações questionários aplicados a docentes e estagiários, participantes do curso de extensão, sendo que dos 167 cursistas matriculados, 19 participantes concordaram em participar e responderam ao questionário. A análise dos elementos demonstrou que os professores evidenciam insegurança em tratar sobre um assunto o qual não dominam; que procuram diversas opções para suplantar os problemas e também sugerem a necessidade de um maior debate acerca do assunto das lutas no contexto escolar.


terça-feira, 29 de agosto de 2017

A Educação Física na Educação: Diálogos e Possibilidades

Curso de formação de professores de Educação Física. 

Realização de 02/09 a 02/12/2017.

Público alvo: professores de Educação Física da rede estadual do RS e licenciandos em Educação Física.

Inscrições: 17/07 a 30/08/2017

Modalidade di curso semipresencial.

INSCRIÇÕES GRATUITAS!

Maiores informações e inscrições:


Programação:


INSCRIÇÕES

O processo de inscrição será feito em duas etapas:
1ª parte – Inscrição na Plataforma Moodle (caso você já tenha acesso ao MOODLE, esta etapa não é necessária) *Plataforma MOODLE estará em manutenção até o dia 11/08/2017, após a inscrição poderá ser realizada normalmente!
2ª parte – Enviar e-mail contendo nome completo, coordenadoria (se tiver), cidade, CPF, telefone e endereço de e-mail CADASTRADO NO MOODLE para o endereço cursoefnaedbasica@gmail.com
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Características do curso: O curso será semipresencial entre setembro e dezembro de 2017. A parte à distância será realizada através do acesso a uma plataforma MOODLE. A parte presencial ocorrerá nas Universidades UFRGS, FURG e UNIVATES. (o cursista deverá escolher pelo menos uma das datas para participar presencialmente em uma das Universidades citadas)
Carga horária para certificação: 40h. – Será certificado o inscrito que participar presencialmente de, pelo menos, uma das atividades nas Universidades e realizar as atividades propostas na plataforma EAD (MOODLE).
Objetivo Geral: Promover formação para professores de Educação Física da rede estadual de ensino, graduados e graduandos em licenciatura em Educação Física, analisando os deslocamentos da Educação Física na Educação Básica a partir da inserção deste componente na Área das Linguagens, das recentes DCN’s e da Base Nacional Curricular Comum.
O intuito do curso é o de promover formação para os professores de Educação Física dos municípios de Porto Alegre, Rio Grande e Lajeado, através de conversas, oficinas e outras estratégias, durante o ano de 2017.

Programação do curso de formação de professores

A Educação Física na Educação Básica: Diálogos e possibilidades


Porto Alegre (UFRGS)   –   02/09

Horário     –     Tema
08h     –     Credenciamento
09h     –     Abertura
10h     –     Currículo e Educação Física Escolar
11h     –     Roda de conversa
12h     –     Intervalo
13h30 – 15h30     –     Oficina 1 – DANÇA
13h30 – 15h30     –     Oficina 2 – PRÁTICAS DE INCLUSÃO
13h30 – 15h30     –     Oficina 3 – ESPORTE
15h30     –     Roda de conversa
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Lajeado (UNIVATES)   –   30/09

Horário     –     Tema
08h     –     A Educação Física Escolar na Área das Linguagens: Aspectos Curriculares, Legislativos e Pedagógicos
09h30     –     Oficina 1 – CAPOEIRA
09h30     –     Oficina 2 – PRÁTICAS DA NATUREZA NA ESCOLA
11h30     –     Encerramento e roda de conversa
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Porto Alegre (UFRGS)   –   21/10

Horário     –    Tema
08h     –     A Educação Física Escolar na Área das Linguagens: Aspectos Curriculares, Legislativos e Pedagógicos
09h30     –     Oficina 1 – DANÇAS AFRO
09h30     –     Oficina 2 – ESPORTE
11h30     –     Encerramento e roda de conversa
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Rio Grande (FURG)   –   11/11

Horário     –     Tema
08h     –     A Educação Física Escolar na Área das Linguagens: Aspectos Curriculares, Legislativos e Pedagógicos
09h30     –     Oficina 1 – LUTAS
09h30     –     Oficina 2 – GINÁSTICA
11h30     –     Encerramento e roda de conversa
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Porto Alegre (UFRGS)   –   02/12

Horário     –     Tema
09h     –     Abertura
09h30     –     Conferência de encerramento
11h     –     Roda de conversa
12h     –     Intervalo
13h30     –     Apresentações de trabalhos (pôster digital)
16h     –     Conferência de encerramento

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Educação Física no Ensino Médio: Luxo ou necessidade?

Suraya Cristina Darido 

Irlla Diniz 

O novo modelo do Ensino Médio, apresentado por Temer no último dia 22 de setembro, flexibiliza o currículo da etapa, acaba com a obrigatoriedade das disciplinas de Educação Física e Artes. Um tremendo retrocesso, em tempos modernos, na vigência absoluta do sedentarismo, da crise de valores e na falta de interesse pela escola. Tamanha a importância atual do conhecimento sobre as práticas corporais que é inaceitável que queiram excluir a disciplina do rol das obrigatórias. Ademais, o modo como foi conduzido o processo, por medida provisória causa estranheza, para dizer o mínimo. 
É verdade, que a disciplina enfrentou vários problemas para se legitimar no campo escolar. Durante um longo período, a Educação Física foi entendida como uma atividade destituída de intenção pedagógica, marcada por uma prática meramente recreativa ou pelo desenvolvimento da aptidão física e desportiva. 
A partir da década de 1980 o denominado Movimento Renovador da Educação Física brasileira passa a enfatizar a necessidade de atribuir novos rumos para o componente. Em 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB 9.394/96 estabeleceu que a Educação Física, integrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular obrigatório da educação básica (BRASIL, 2016). A lei significou um importante avanço para a área e, minimamente, garante sua existência e constante evolução nas escolas. 
É fundamental frisar que a Educação Física oferece uma série de possibilidades para enriquecer a experiência das crianças, jovens e adultos na Educação Básica, permitindo o acesso a um vasto universo cultural. Esse universo compreende saberes corporais, experiências estéticas, emotivas, lúdicas, agonistas que se inscrevem, mas não se restringem, à racionalidade típica dos saberes científicos que comumente orienta as práticas pedagógicas na escola. Experimentar e analisar as diferentes formas de expressão que não se alicerçam apenas nessa racionalidade é uma das potencialidades desse componente e um dos motivos centrais da sua condição de direito dos/das estudantes de todo país (BRASIL, 2016, p. 102). Por isso não se justifica tornar a disciplina optativa no Ensino Médio, ainda mais considerando o risco que essa condição pode significar para área. 
Também podemos nos perguntar: por que o número de pessoas que praticam atividades físicas regulares no Brasil ainda é tão baixo? Trata-se de menos de 30% da população adulta. Uma das hipóteses reside na falta de boas experiências anteriores vivenciadas pelos estudantes nas aulas ou fora delas. Acreditamos que se os alunos encontram prazer e conhecimento nas aulas de educação Física a possibilidade de engajamento consciente nas práticas corporais é potencializada. Transformar a disciplina em optativa no Ensino Médio tornaria ainda mais distante essa possibilidade. 
Nesse nível de ensino especificamente, os alunos trazem para as aulas um conjunto de experiências com a Educação Física que influenciam a relação com o componente e seus diferentes conteúdos. Para muitos, esta é a última chance de acessar um conjunto de conhecimentos sistematizados sobre a Educação Física e, por tal motivo, não se pode abrir mão de lhes oferecer o máximo de oportunidades possíveis para que estabeleçam uma relação qualificada com a cultura corporal de movimento (BRASIL, 2016, p. 524). 
Neste contexto é imprescindível considerar que os jovens dispõem de capacidades ampliadas de ler o mundo, possibilidades de dimensionar os problemas que afetam os grupos mais próximos e mais distantes, bem como ajudar a vislumbrar alternativas de solução de problemas de diferentes naturezas. Dessa forma, o exercício de um protagonismo comunitário é particularmente importante no Ensino Médio como um todo, e na Educação Física de forma particular. Tratar de temas como o direito ao acesso às práticas corporais pela comunidade, a problematização da relação destas manifestações com a saúde e o lazer ou a organização autônoma e autoral no envolvimento com a variedade de manifestações da cultura corporal de movimento permitirá a expressão e o cultivo dessas atuações (BRASIL, 2016, p. 524).
Esta etapa também se caracteriza pelo olhar prospectivo dos jovens para sua própria trajetória. É um momento em que se tomam decisões importantes. A Educação Física pode subsidiar os estudantes com conhecimentos que transcendem a continuidade dos estudos ou a inserção no mundo profissional. O componente abre possibilidades de pensar e aprender sobre o cuidado de si e dos outros que, independentemente do rumo tomado, permitirão avaliações mais lúcidas sobre o tempo livre como condição básica para um bem viver (BRASIL, 2016, p.99). 
Enquanto discutíamos atentamente o desenvolvimento da área, por meio de ações como o engajamento e a escrita da Base Nacional Curricular Comum, fomos atropelados pela Medida Provisória (MP) nº 746 de 22 de setembro de 2016, que coloca em risco o processo construído ao longo dos últimos anos. Para se ter ideia, apenas em 2015/16, foi discutido com diversos professores o papel da Educação Física na Educação Básica, em especial, no Ensino Médio. Considerando apenas as contribuições registradas no portal da BNCC temos: 
7429 manifestações sobre os textos introdutórios da 1ª versão; 
Mais de 3800 manifestações para cada um dos 45 objetivos da Educação Física no Ensino Médio, o que representa bem mais de 171.000 contribuições para essa etapa! 
Propuseram-se 1600 modificações para o conjunto de objetivos e 379 sugestões de novos objetivos. 
Foram elaborados mais de 10 pareceres críticos; 
Registradas as contribuições e críticas de diversos fóruns realizados, entre setembro de 2015 e março de 2016, em várias regiões do Brasil com diferentes grupos e associações. A partir de todos esses subsídios, registradas no site da BNCC, surgiu a 2ª Versão que foi discutida recentemente em Seminários Estaduais em todo o país. Frente às notícias divulgadas sobre MP nos questionamos: O que fica de tudo isso? Que conhecimento possui quem decide? Com qual legitimidade? Quais os resultados das avaliações realizadas para se tomar tal medida? Quais as reais intenções por trás dessa MP? O que ela efetivamente poderá contribuir com o aumento da qualidade do Ensino Médio no Brasil? Por que não houve consulta aos professores no processo? 
Assim, sinalizamos que a Educação Física na escola proporciona conhecimentos específicos e insubstituíveis, de forma que nenhum componente curricular poderá preencher a lacuna deixada por ela no currículo. 
Diante desse contexto, repudiamos a MP do Ensino Médio, prevendo, inúmeros efeitos perversos à população brasileira. 

Suraya Cristina Darido (Docente do Departamento de educação física - Unesp e Membro da Comissão de Especialistas da Base Nacional Comum). 

Irlla Diniz Professora EBTT - IFSP – Capivari e Doutoranda pelo Programa de Desenvolvimento Humano e Tecnologias - Unesp

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Educação física escolar: lutas versus briga, o que falar?

As aulas de educação física possuem uma diversidade gigantesca em relação aos conteúdos a serem trabalhados. Dentre esta vasta gama, se encontram as lutas. Este, mesmo que esteja recomendado pelos Parâmetros Curriculares Nacionais, dificilmente é adotado pelos docentes. Os motivos para não trabalharem são os mais variados. Muitos alegam desconhecer. Outros acreditam que apenas praticantes de lutas ou artes marciais estejam habilitados a fazê-lo. Portanto, as desculpas são infindáveis. Contudo, a literatura refuta todas e afirma que existem possibilidades do professor não praticante de lutas trabalharem em suas aulas.
Pois bem, mesmo que o praticante ou não praticante se proponha a usar como conteúdo em suas aulas, dificilmente, deixará de abordar o tema lutas versus briga. Rotineiramente, artigos e livros trazem esse binário para a discussão nas aulas de lutas. O professor, observando ser muito pertinente para o contexto, abraça e joga para o debate. Quais são as repostas que os alunos dão? Elas estão certas? O professor sabe quais são as respostas? Afinal, o que são lutas e o que é briga?
A probabilidade é enorme de um docente ouvir a resposta de que a briga causa dano, enquanto, a luta não, que uma possui regras e a briga não. Mas será que é só isso?
Neste artigo, tento fazer um apanhado que a literatura apresenta a respeito do assunto. Para tanto, apresento alguns conceitos já discutidos, mas que a meu ver não sacramentados.
Penso que, talvez, estejam bem próximas enquanto manifestações biológicas. Entretanto, se afastam se considerarmos questões de cunho sociocultural. Alguns autores, inicialmente, acreditam que a primeira coisa a fazer é desmitificar que há uma simbiose entre as lutas e a violência. Para eles, essa ligação deve ser dissolvida. Conforme Lacerda et al. (2015) é preciso ir além com essa informação, para que pais, diretores e professores como um todo possa ter em mente essa distância da prática das lutas com a violência, e passem a enxergar esse conteúdo como importante na cultura de não violência e de vários benefícios.
Não é incomum ouvir de pais e familiares que o seu filho, sobrinho ou coisa que o valha não deve fazer lutas na escola, pois ficará uma pessoa mais violenta. Tal afirmação corrobora com o discurso de Rufino e Darido (2013) que apontam o estabelecimento de associações errôneas das lutas com questões relacionadas à incitação à violência, às brigas, entre outras.
Tais relações estariam revestidas não apenas de preconceitos, mas de concepções limitadas e pautadas em distorções sobre o que de fato as lutas podem significar para a prática pedagógica a partir de sua vinculação como uma das manifestações da cultura corporal de movimento (RUFINO; DARIDO, 2013). Alinhados com este pensamento, Braun et al. (2015) pensam que as lutas e a briga são distintas em vários aspectos. Definem as lutas como possuidoras de regras, que objetivam a finalidade de um combate de maneira esportiva, já as brigas são comportamentos com forte apelo à violência, afetando a integridade moral e física, ocorrendo na maioria das vezes de maneira inesperada.
Por outro lado, vejo que as lutas e a briga têm muitas diferenças. Apesar disso, também há grandes aproximações. Para entendermos melhor, consultemos o dicionário Michaelis. Nele encontra-se: a luta pode ser considerada uma modalidade marcial, esportiva ou filosófica que possui regramentos e sistematizações. Onde, geralmente, há o combate onde um tenta subjugar o outro. Enquanto, a briga é uma ação ou situação em que os adversários se enfrentam corpo a corpo; luta corporal. Pode haver mais de um envolvido, inclusive a situação de superioridade numérica é constante. Nota-se que o significado em dicionários, traz a expressão luta corporal para designar briga. A luta corpo a corpo é comum nesse binarismo. Portanto, o propósito parece ser diferente. Ter sentidos diversos. Mas a vitória, a derrota, o subjugar está nos dois.
Destarte, pensar que a luta pode ser proveniente da briga é uma hipótese considerável. Quiçá, a capoeira, o jiu-jítsu, o krav magá não tenham sido pedagogicamente sistematizados de manifestações corporais oriundas de briga. Se considerarmos essa premissa, condicionando a regramentos, a briga transforma-se em luta. Neste sentido, temos Olivier (2000) onde pensa na ressignificação das brigas de pátio na escola para jogos de lutas com regras.
Para alguns professores de educação física, de acordo com Nascimento e Almeida (2007), a preocupação com o fator violência, que julgam ser intrínseco às práticas de luta, incompatibiliza a possibilidade de abordagem deste conteúdo em aula. Pois bem, se até mesmo quem deveria esclarecer o assunto aos seus alunos, tem visões deturpadas, o que esperar dos leigos?
A luta é uma manifestação corporal com ações contra um oponente, compostas de regras e técnicas de golpes sistematizados, possuindo escopos distintos, como educação, disciplina, lazer, prática de esportes, social, entre outros benefícios, das brigas. Essa já passa a ser uma forma de enfrentamento de duas ou mais pessoas, sem regramentos e nem sistematizações pedagógicas, com o propósito de agressão e de uso de violência desmedida e despropositada.
Enquanto a luta, como vimos, apresenta regras, respeito entre os praticantes e toda uma organização social, as brigas não apresentam regras, são desorganizadas e constituem-se em uma maneira violenta de resolver conflitos por meio de ações não éticas e desrespeitosas, ou seja, são bem diferentes das lutas. Por isso, é fundamental que os alunos sejam capazes de diferenciar claramente as características das lutas e o que as diferencia das brigas, até para evitar mal entendidos ou incompreensões sobre estas práticas corporais.
Até aqui parece ser a luta do bem (luta) contra o mal (briga). Contudo, conforme Aguiar (2008), nem sempre as lutas podem trazer mudanças tão positivas. Elas podem aflorar experiências negativas para o indivíduo, tudo dependendo do contexto e de como são trabalhadas. Se o contexto for agressivo, logicamente haverá uma exacerbação da violência, ou seja, as lutas estarão vinculadas às brigas. Mas se o contexto for o pedagógico, elas ajudarão os alunos a respeitarem-se, conhecerem o próprio corpo e as suas possibilidades de movimento, estimular o autocontrole, aumentar a autoestima, controlar as emoções etc.
De acordo com Oliveira et al. (2015), o aprendizado das lutas, por exemplo, o jiu jítsu, podem favorecer a prática da violência. Pois, por se tratar de uma luta de extrema eficácia alguns de seus praticantes tem utilizado em brigas e confusões em escolas e nas ruas. A utilização das lutas como prática de atividade física é capaz de canalizar a agressividade, incutir valores de respeito ao outro e as regras, que em última análise recurso pedagógico para diminuir e controlar a violência urbana.
Em investigação de Braun et al. (2015), ao questionar uma professora acerca da relação das lutas com a violência, se obteve a resposta: ‘’Não relaciono a luta à violência, ao contrário, tento desconstruir essa ligação que muitas vezes os alunos fazem. Geralmente explico para eles que as lutas estão relacionadas a uma filosofia, e não a brigas. ’’
De acordo com Braun et al. (2015), essa fala corrobora com os pesquisadores Só e Betti (2009) que garantem que a prática das lutas pode ajudar no processo de educação para uma cultura de não violência, e que a violência é um fator da realidade social na qual se insere o indivíduo.
Rufino e Darido (2011) pensam nas lutas que o adversário deve ser visto como um parceiro, respeitado. Enquanto, nas brigas ele é apenas uma pessoa inimiga sendo agredida. Ainda, é proposto, discussões para diferenciar lutas de brigas, incitações à violência, priorizando o respeito e a cidadania, assim como pesquisas sobre dados históricos e fatos curiosos sobre a história do esporte, dentre outras questões. Os beneficiários são incentivados a trazerem perguntas e curiosidades relevantes às aulas, permitindo que haja uma troca de informações e reflexões que transcende os processos de ensino e aprendizagem de gestos técnicos e movimentos específicos apenas (RUFINO; MARTINS, 2011).
De acordo com Lançanova (2008), existe uma visão de que se o aluno aprender a lutar irá agredir os professores e os pais, ou promover mais brigas com os colegas. Esse é um preconceito da prática de artes marciais na escola, pois muitos alunos possuem acesso a uma academia ou a um instrutor que lhe ensine, fora da escola, e isso não determina que sejam mais violentos que os outros que não possuem.
Na luta, para os alunos, o outro não é um inimigo; é só um adversário. E a relação não é de agressão, mas de interação. ‘Cria-se uma espécie de diálogo corporal’, os estudantes atacam, defendem-se, caem e, no final, voltam à condição de colegas, sem se sentir desrespeitados. Não é à toa que, na maioria das artes marciais, os embates começam e terminam com um cumprimento (LANÇANOVA, 2008).
Segundo Pereira, Neto e Smith (2003), ações como essas, no contexto escolar, causam sérios problemas, pois crianças que sofrem esse tipo de agressão estão arriscadas a carregarem consigo traumas da escola pelo resto de suas vidas, uma vez que brigas, lutas, agressões nos pátios, corredores, salas de aulas e principalmente no recreio, fazem a escola não mais ser vista como um lugar de alegria e ludicidade, mas sim como palco para agressões (DA SILVA, 2008).
As lutas, conforme Vale (2015), são conteúdos da Educação Física Escolar, mas aparentemente sofrem algumas restrições nas aulas devido aos preconceitos relacionados a ela, como a associação das lutas com a violência escolar. Para Alves Junior (2006): As multidões se dirigem às arenas para vibrar com os socos e pontapés e quanto mais sofrimento alguém impõe ao outro mais excitado fica a plateia, partindo desta constatação observamos como isso é frequente no dia a dia escolar, as brigas geram estas plateias, e acabam por fazer parte até hoje da vida dos alunos, sendo qualquer um, participando da violência explicitamente e implicitamente. Explicitamente quando participa efetivamente da briga e implicitamente quando trata com negligencia a briga.
Mas, foi preciso insistir na diferenciação entre lutas e brigas e no respeito ao adversário para conduzir as aulas de maneira segura, pois inicialmente eles demonstraram não diferenciar essa questão, fato que apuramos na sondagem inicial. Outra situação ocorrida no início foi a insistência dos alunos em aprender técnicas da luta e realizar “combates”, porém no decorrer das aulas eles se envolveram com as propostas e se demonstraram satisfeitos.
Várias podem ser as hipóteses, mas acreditamos que os jogos parecidos com as lutas tenham levado a compreensão que a mesma não precisa ser idêntica ao modelo oficial; que as lutas têm regras e as brigas não, caracterizando esta última como um comportamento inadequado ao ambiente (LOPES et al., 2015).
Dessa forma, faz-se necessário aos professores de Educação Física Escolar saber e ensinar a diferença entre lutas e brigas para seus alunos, independente da modalidade. Enquanto a primeira trata-se de uma prática esportiva ou alternativa de atividade física com regras determinadas, a segunda é vista como uma forma de provocar confusões, desrespeito ao próximo, gerando violência excessiva.
A luta é um esporte como outro qualquer, todavia o envolvimento com a utilização de quedas, torções, imobilizações, estrangulamentos, uso da força e situações de combate possam ser confundidas com brigas, o que sabemos que não é uma verdade. Por fim apresentamos a questão referente se os alunos se tornariam mais agressivos ao praticarem lutas (MAZINI FILHO, 2014).
O que Olivier (2000) indiretamente sugere é uma ressignificação das lutas, isto é, mostrar outras possibilidades e olhares para os alunos, neste caso específico, o autor sugere transformar “brigas em jogos de lutas”, ou seja, relativizar as distintas intencionalidades entre brigas e jogos de lutas.
Os PCNs afirmam ainda que as lutas são disputas em que o(s) oponente(s) deve(m) ser subjugado(s), com técnicas e estratégias de desequilíbrio, contusão, imobilização ou exclusão de um determinado espaço na combinação de ações de ataque e defesa.
Deve-se ressaltar que a definição dos PCNs inclui as lutas apenas nas questões que tangem as vivências práticas dessas modalidades como o equilíbrio ou desequilíbrio, técnicas de contusão ou exclusão de espaços, dentre outras, não mencionando, assim, outras formas de se abordar as lutas na escola como, por exemplo, incluir na definição questões como: o que são lutas ou questões relacionadas à história das modalidades, condutas dos praticantes.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais, em relação ao conteúdo da Educação Física, enquanto disciplina escolar observa que deva tratar da cultura corporal, em sentido amplo: sua finalidade é introduzir e integrar o aluno à essa esfera, formando o cidadão que vai produzir, reproduzir e também transformar essa cultura. Portanto, o aluno deverá deter o instrumental necessário para usufruir de jogos, esportes, danças, lutas e ginásticas em benefício do exercício crítico da cidadania e da melhoria da qualidade de vida.
Lutas e briga são a mesma coisa?


  • AGUIAR, Cristiane. A legitimidade das lutas: Conteúdo e conhecimento da educação física escolar. 2008. 56 f. TCC (Graduação) - Curso de Educação Física, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2008.
  • BRAUN, Anderson Gustavo et al. O judô e a capoeira como conteúdos na educação física escolar. Ágora Revista Eletrônica, n. 21, 2015.
  • CORRÊA, Adriano de Oliveira; QUEIROZ, Gisele; PEREIRA, Marcos Paulo Vaz de Campos. Lutas como conteúdo na Educação Física Escolar. Trabalho de conclusão de curso Módulo Centro Universitário, Caraguatatuba–SP, 2010.
  • DA SILVA, Junior Vagner Pereira. Espaços para o jogo no recreio escolar e a ocorrência de lutas a “brincar”. LICERE-Revista do Programa de Pós-graduação Interdisciplinar em Estudos do Lazer, v. 11, n. 2, 2008.
  • LACERDA, Rafaela Pinheiro et al. Ensino de lutas: Relatos de uma experiência na rede pública. 417 Educação física escolar e artes: experiência pedagógica a, p. 437. (2015)
  • LANÇANOVA, Jader. Lutas na educação física escolar: alternativas pedagógicas. São Paulo: Ática, 2008.
  • LOPES, Raphael Gregory Bazílio; KERR, Tiemi Okimura. O ensino das lutas na Educação Física escolar: uma experiência no ensino fundamental. Motrivivência, v. 27, n. 45, p. 262-279, 2015.
  • MAZINI FILHO, Mauro Lúcio et al. O ensino de lutas nas aulas de Educação Física Escolar. Cinergis, v. 15, n. 4, 2014.
  • MICHAELIS. Moderno Dicionário da Língua Portuguesa. São Paulo: Melhoramentos, 2002.
  • NASCIMENTO, Paulo Rogério; BARBOSA, Luciano de Almeida. "A tematização das lutas na Educação Física escolar: restrições e possibilidades." Movimento (ESEF/UFRGS) 13.3 (2007): 91-110.
  • OLIVIER, Jean-Claude. Das brigas aos jogos com regras: enfrentando a indisciplina na escola. Porto Alegre: Artmed, 2000.
  • Parâmetros Curriculares Nacionais: Terceiro e Quarto Ciclos do Ensino Fundamental. Educação Física/Secretaria de Ensino Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998.
  • RUFINO, Luiz Gustavo Bonatto; DARIDO, Suraya Cristina. A separação dos conteúdos das “lutas” dos “esportes” na educação física escolar: necessidade ou tradição?. Pensar a Prática, v. 14, n. 3, 2011.
  • RUFINO, Luiz Gustavo Bonatto; DARIDO, Suraya Cristina. Possíveis diálogos entre a educação física escolar e o conteúdo das lutas na perspectiva da cultura corporal. CONEXÕES: Revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP, v. 11, n. 1, p. 144-170, 2013.
  • RUFINO, Luiz Gustavo Bonatto; MARTINS, Carlos José. O jiu jitsu brasileiro em extensão. Revista Ciência em Extensão, v. 7, n. 2, p. 84-101, 2011.
  • VALE, Jose Ideraldo Bezerra do. As lutas enquanto recursos pedagógicos nas aulas de Educação Física Escolar. 2015.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

As possibilidades das manifestações da lutas dentro da educação física escolar

A educação física tem como finalidade fundamental o desenvolvimento das habilidades fundamentais, o aperfeiçoamento, oportunizando a aprendizagem em relação às capacidades motoras, cognitivas e sociais, tendo como função de possibilitar a construção de seres críticos, autônomos e reflexivos, enquanto alunos e cidadãos. Segundo Vargas Neto e Voser (2001), o ensino do esporte, bem como, seus efeitos educativos depende do contexto onde se encontram, de aspectos sociais e principalmente da intervenção do agente educador. Observo que a educação física não pode ser erigida apenas nos modelos esportivos clássicos; pensamos que diversas práticas esportivas e culturais devem fazer parte da gama de repertórios e possibilidades nos locais das aulas. A resignificação das práticas esportivas e a utilização de técnicas, regras, leis, táticas são muito importantes no âmbito escolar. Conforme Paes (2001), a educação física escolar é a disciplina que, pedagogicamente, tem a finalidade de tratar de temas da cultura corporal. Ainda, permite que o aluno tenha a percepção corporal, dentro dos aspectos de suas possibilidades e limitações; bem como, o acréscimo gestual em seu repertório motor. Por fim, o forte apelo socializador através do esporte, das lutas, das danças, dos jogos e das ginásticas permite que laços de amizades entre alunos sejam estreitados.

As lutas e suas práticas, conforme os PCN’s, são conteúdos possíveis à educação física dentro da escola. “As lutas são disputas em que o(s) oponente(s) deve(m) ser subjugado(s), com técnicas e estratégias de desequilíbrio, contusão, imobilização ou exclusão de um determinado espaço na combinação de ações de ataque e defesa. Caracterizam-se por uma regulamentação específica a fim de punir atitudes de violência e de deslealdade. Podem ser citados como exemplos de lutas desde as brincadeiras de cabo de guerra e braço-de-ferro até as práticas mais complexas da capoeira, do judô e do caratê” (BRASIL, 1997). Desta forma, as lutas e/ou as modalidades de esportes de combate (MEC), de uma forma ressignificada, podem e devem ser trabalhadas com alunos no ensino fundamental na medida em que são ferramentais de desenvolvimento motor, cognitivo e de inclusão social. Além do mais, oportuniza o conhecimento de outras realidades socioculturais, a partir das informações acerca das culturas, das histórias de outras nações que são berços das mais variadas formas de lutas. Dentro do espectro das lutas, encontramos três subdivisões, conforme Gomes (2010), seriam estas: “Esportes de Luta com agarre”, “Esportes de Luta com golpes” e “Esportes de Luta com implemento”.

As possibilidades dos conteúdos a serem trabalhados na abordagem das lutas dentro da aula de educação física são imensas. Dentro de um referencial teórico, podemos contextualizar as lutas, desde a sua história primordial até as suas manifestações mais atuais. Como elas (as lutas) evoluem, de quem e como se encontram. Apresentarmos algumas regras, leis e etiquetas dentro do espaço das lutas e como elas repercutem na sociedade. Trabalharmos com a discussão e reflexão do aprendizado das lutas e sobre a sua aplicação. De acordo com Barbieri (2001), esta premissa é uma constante no cotidiano do processo educativo. Debater questões pertinentes para que sejam desconstruídos alguns mitos e paradigmas como: violência (luta x briga); adversário não é inimigo; sobre gênero, o papel das mulheres no contexto das lutas; até mesmo as possibilidades e implicações das modalidades dos esportes de combate (MEC) dentro da disciplina educação físicas. No tocante da prática, a utilização da diversidade de materiais que as lutas proporcionam é absurdamente interessante. Contudo, a criação e a construção de materiais alternativos são enriquecedores. Exemplifico com a confecção de floretes (espadas) de jornal, para uma atividade de esgrima. Na questão da organização dos tempos de aula, no primeiro momento, pode-se trabalhar com atividades lúdicas e de quebra-gelo, onde o contato corpo-a-corpo é iminente, para aquecimento. Podendo ser uma brincadeira de conquista de objetos e territórios: pegar vários (dois a três) pregadores (prendedores) que estão presos na camiseta na altura do peito, que por sua vez tenta se esquivar e, ao mesmo tempo, pegar o do colega. Guerra de polegares, brincadeira onde deve o aluno aprisionar o polegar do outro. Luta de galinhos: dois a dois, em posição de cócoras, usando somente as palmas da mão, tentam desequilibrar um ao outro. Sumozinho: em posição de agachamento fundo, também deve tentar colocar o seu colega sentado ao solo, realizando investidas com as mãos, ou forçá-los a sair do território demarcado. Ombro a ombro: usando somente um dos ombros, os colegas ficam contatados forçando para que o adversário saia da área; também, pode ser feito com o quadril ou outras partes do corpo. Cabo de guerra: usando uma corda, separam-se grupos em oposição que puxam a corda para que tragam os adversários para o seu lado. Cachorro-louco: onde um aluno é escolhido para ser o cachorro (pegador), em uma posição de quatro ou seis apoios, ele deve tentar pegar os pedestres. Ao ser tocado ou derrubado (o pego deve fazer o amortecimento de queda), vira cachorro louco e passa ajudar o colega. Pega-pega-corrente: escolhe-se um pegador e este tem que pegar um colega para iniciar a corrente. Ao pegar o colega, eles de mãos dadas passam a tentar pegar os outros. À medida que forem pegando, vão se dando as mãos até restar somente um. Existem inúmeras manifestações a serem trabalhadas. Estas são algumas constantes.

Dentro do segundo momento, podemos explorar os movimentos e as técnicas, extraídas de diferentes modalidades de combates, trazendo as mais variadas possibilidades de sua utilização. Usar gestuais que trabalhem com o equilíbrio, a velocidade, a força e a resistência; bem como, com as capacidades coordenativas. Todavia, a flexibilidade e a elasticidade são capacidades importantes no desenvolvimento das lutas, por isso, de acordo com Otoshi (1995), são faculdades que devem ser desenvolvidas no processo da aprendizagem de lutas. Sugerir variedades de deslocamentos, agarre no oponente, como projetar/derrubar, imobilizar e escapar, e amortecer quedas são de fundamental importância quando se trabalha com lutas. Ainda, experienciar chutar, socar, estrangular, realizar chaves de articulação, esquivar, defender são necessários para um maior aprofundamento; no entanto, em meu entendimento, não há a obrigatoriedade que se faça quando se trabalha com turmas mais insipientes. O jogo nesta parte da aula é de extrema estima. Ao ensinar técnicas novas se faz necessário que eles a executem e vejam a sua eficiência, permitindo que construam suas possibilidades de efetivação tanto para aprisionamento como fuga, por exemplo, no caso das imobilizações. O shiai, a luta em si, deve existir. Pensar que o aluno deve aprender lutando e não aprender para lutar. O professor nesse momento deve explicar alguns conceitos e regras para que este período ocorra com a máxima segurança. 

Algumas manifestações que podem ser trabalhadas na aula de educação física escolar:

  • Saudação; 
  • Posturas; 
  • Sentar – agura e seiza; 
  • Amortecimento de quedas (ukemi); 
  • Posição de guarda; 
  • Defesas (alta, média e baixa); 
  • Jab (soco); 
  • Direto (soco); 
  • Chute frontal; 
  • Chute semicircular; 
  • Chute lateral; 
  • Esquiva; 
  • Deslocamento para frente; 
  • Deslocamento para trás; 
  • Hon-kesa-gatame (imobilização); 
  • Juji-gatame (armlock); 
  • Hadaka-jime I (estrangulamento – mata-leão); 
  • Hadaka-jime II (estrangulamento – mata-leão); 
  • Sode-guruma-jime (estrangulamento – ezequiel); 
  • Guarda de pernas; 
  • Sankaku-gatame (triângulo); 
  • Sankaku-jime (triângulo); 
  • Projeções (O-soto-gari, de-ashi-barai, koshi-guruma, o-goshi, ipon-seoi-nage); 
  • Au (roda); 
  • Bananeira (três apoio); 
  • Ginga; 
  • Negativa; 
  • Chute (benção, ponteira, martelo, rabo de arraia, meia-lua).

Ao final, no terceiro momento, alguma atividade de volta à calma, podendo ser atividades que são usadas em outros esportes. O relaxamento, o trabalho de respiração – importante a conscientização da respiração nas lutas. O mokusô (meditação, harmonização e tranquilização da mente e da alma) e, por fim, o feedback.

Importante lembrar que as lutas possuem uma diversidade cultural vasta, que a criatividade do professor em buscar esses elementos e transpor para a aula é fundamental para construção de novos saberes.

Referências
  • BARBIERI, Cesar Augustus Santos. Esporte Educacional: uma possibilidade para a restauração do humano no homem. Canoas: Ulbra, 2001. 160 p
  • BOEHL, Walter Reyes. Apostila de judô exames de faixas. Judô Teresópolis Tênis Clube, Porto Alegre, 2012. Disponível em: <https://portaldojudors.files.wordpress.com/2015/10/apostila-de-judc3b4-ttc.pdf>. Acesso em: 11 nov. 2015.
  • GOMES, Mariana Simões Pimentel et al. Ensino das lutas: dos princípios condicionais aos grupos situacionais. Movimento: Revista da Escola de Educação Física da Ufrgs, Porto Alegre, v. 2, n. 16, p.207-227, abr. 2010.
  • OTOSHI, Christopher. Dicionário de Artes Marciais - Judô para Crianças de 5 a 13 anos. 2. ed. Porto Alegre: Rígel, 1995. 65 p.
  • PAES, Roberto Rodrigues. Educação Física Escolar: o esporte como conteúdo pedagógico do ensino fundamental. Canoas: Ulbra, 2001. 132 p.
  • Parâmetros curriculares nacionais: Terceiro e Quarto Ciclos do Ensino Fundamental. Educação Física/Secretaria de Ensino Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1998.
  • VARGAS NETO, Francisco Xavier de; VOSER, Rogério da Cunha. A criança e o esporte: uma perspectiva lúdica. Canoas: Ulbra, 2001. 126 p.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Resenha de Educação Física e Linguagem: Algumas Considerações Iniciais

O presente trabalho, de Maria Fernanda Telo Ladeira e Suraya Cristina Darido, tem como escopo analisar como a disciplina de educação física se comporta - no momento que os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) para o Ensino Médio a insere – na área das linguagens, códigos e suas tecnologias. Baseadas em obras já publicadas sobre o tema, entrevistas com professores universitários que já tenham manifestações, de alguma forma, que permeassem o tema, as autoras buscaram desvelar este fenômeno. 

Na introdução, as autoras apresentam preocupação como o assunto vem sendo pouco explorado na área da pesquisa quando relacionados a educação física às linguagens. Quando são, conforme estas, contém uma atitude pouco sólida. 

Expõem que a educação física constar no bojo da área não pode ser considerado como uma incoerência; tampouco, uma novidade. Ladeira e Darido ensinam: “Na década de 70 foram lançados os guias curriculares que já incluíam a Educação Física na área de comunicação e expressão e considerava a ‘utilização do próprio corpo como meio de comunicação e expressão’”. Como podemos observar, ela já estava inserida na comunicação e expressão.

No texto, a educação física, em relação aos PCNs, “têm a intenção de sugerir formas de atuação que proporcionarão o desenvolvimento da totalidade dos alunos”. Mais em frente, apresenta o intento de dilatar pelo menos esta aptidão a de tornar possível a compreensão das diversidades culturais corpórea, ressaltando as singularidades dos conteúdos e resultados aos alunos do ensino médio que a disciplina provoca.

Ao adentrar no campo da linguagem propriamente dito - não que até o presente não tivesse sido abordado - as pesquisadoras se apoiam em Faraco. Discorrem sobre o assunto, como esta se articula e como atua. Como ela se apresenta e como é interpretada.

A problematizar relações na linguagem se faz necessário perpassar pela semiótica, uma vez que, esta é a ciência encarregada de estudar todo e qualquer tipo de linguagem. Conforme a pesquisa, sabido e consabido, à semiótica cabe investigar os elementos relacionados aos signos, aos ícones, aos sinais, aos símbolos e às suas dicotomias, como a conotação e a denotação, por exemplo. 

Seguindo, a linguagem corporal é acostada; no caso em tela, se faz de extrema importância conhecer os seus conceitos para se apropriar de suas significações para um melhor entendimento nas questões de importância e objetividade da educação física enquanto saber inserido na área. De forma sucinta, pode se observar que Ladeira e Darido, ao evocar Mesquita (1997), entendem neste formato. “Emitir, receber e perceber os sinais não verbais são processos independentes, ou seja, ocorrem sem que se tenha consciência do que está acontecendo. Estes processos, portanto, são naturais, mas podem se tornar habilidades”. Desta forma, conforme o texto, observa-se que a relação emissário, mensagem, receptor está constituída na formação do profissional. 

Adiante, com a educação física e linguagem, neste ponto, o estudo demonstra que fortemente, se não de configuração absoluta, a educação física é detentora da linguagem não verbal, ou seja, a comunicação corporal, através das mais diversas manifestações do corpo, torna-se presente. “Na perspectiva da reflexão da cultura corporal, a expressão corporal é uma linguagem, um conhecimento universal, patrimônio da humanidade que igualmente precisa ser transmitido e assimilado pelos alunos na escola. A sua ausência impede que o homem e a realidade sejam entendidos dentro de uma visão de totalidade”. Sendo a educação física o estudo do corpo em movimento, nada mais inquestionável do que estas ações são intrínsecas da linguagem não verbal.

A metodologia de pesquisa, como anteriormente referido, pautou-se em revisão da literatura (linguagem, linguagem não verbal e educação física escolar), entrevistas semi-estruturadas com professores especialistas da área, que em seus textos abordaram alguma questão básica sobre linguagem, ainda que não diretamente relacionada à educação física escolar. Nos resultados e discussão, nota-se que, apesar de apenas dois de forma mais consistente dos três entrevistados, além dos outros dois que não puderam responder, trazerem opiniões sobre o tema, o resultado percebido que a área é pobre em estudos e muito mais deve ser realizado.

Ao final, segundo o artigo, fica claro que o processo de comunicação é estabelecido através do corpo, ou seja, a utilização da linguagem não verbal. Ladeira e Darido demonstram preocupação com o tema, pois analisaram que é uma abordagem complexa e necessária para o avanço e desenvolvimento da educação física. Ainda, se fazem necessários mais pesquisas que abordem sobre estes estudos.

De forma concisa, as autoras nos presenteiam com um tema, num primeiro momento, intrigante e que, até segunda ordem, desconexo. Para muitos, quando nos deparamos com a educação física embutida na área das linguagens, códigos e suas tecnologias, logo pensam que só poder ser uma sandice quem a incluiu destarte nos PCNs. Ao se aprofundar no tema e destrinchar, através da semiologia, as inquietações que este assunto carrega, as autoras analisam e descrevem, de forma ímpar, como este fenômeno se torna possível. Com pouco tempo de leitura, já nos tornamos aptos a verificar quais são os aspectos que tornam a nossa área como algo nativo às linguagens. 

Creio que não há o que discordar quando assim se apresenta a comunicação não verbal como meio inexorável à educação física. Esta é corpo em movimento, sendo assim, a sua vocalização não é necessária. O corpo fala por si só.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Sem recursos, educadora física mantém projeto esportivo no Rio

Através do futebol, Bárbara alimenta o sonho de muitos jovens

Nem tudo está perdido nesse nosso Brasilzão de Deus. Nem só de corrupção, violência, “petrolão, “mensalão” e outros “ãos” vivemos. Ainda há quem se interesse de forma altruísta pelo menos favorecido e um desses exemplos é a educadora física Bárbara Maria de Almeida.

Formada pela Universidade Unigranrio, no Rio de Janeiro, a carioca vem mostrando que é possível aliar o esporte ao combate à violência e realizar a tão sonhada inclusão social. A carioca de 30 anos, moradora de Duque de Caxias, é a responsável pelo projeto de futebol Centenário Esporte Clube, no bairro Corte Oito, que atende cerca de 120 crianças das comunidades carentes das localidades, Mangueirinha, Santuário e Morro do Sapo.

O sonho da jovem começou a se realizar no ano de 2009, desde lá, os meninos aprendem e praticam técnicas, táticas, regras e fundamentos do futebol de campo. Os treinos no campo da Barreirinha são nas segundas, quartas e quintas-feiras, manhã e tarde, e aos sábados das 14hs às 17hs.

Interessados em apoiar podem entrar em contato: (21) 36522598 e (21) 71263191.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Faculdades não preparam professor de Educação Física para trabalhar na escola


Professor assistente da Unicamp e pesquisador em Educação Física, o chileno Jorge Gallardo é um dos que advoga um novo papel para a disciplina nas escolas, que seria ainda muito ligada ao lúdico e ao lazer. Segundo Gallardo, a prática de atividades físicas poderia ser muito mais conectada à cultura de um país, estimulando brincadeiras, jogos interativos e até o trabalho voluntário. O professor vem ao Rio para o 16º Congresso Internacional SM Fitness & Wellness, que começa nesta sexta até domingo no Colégio Santa Mônica, em Jacarepaguá.

Qual a importância da Educação Física na escola?
A Educação Física escolar hoje não leva em conta seu verdadeiro valor, está subordinada às diretrizes da área da saúde. E isso leva a procurar objetivos praticamente impossíveis de se alcançar, como a melhoria da saúde, a diminuição da obesidade, da criminalidade... As causas estão principalmente nas instituições de formação dos profissionais, que preparam o licenciado em Educação Física para trabalhar, principalmente, fora da escola (academias, clubes, etc.); mas não no âmbito do ensino básico. É praticamente impossível atingir êxitos desportivos e de saúde com apenas um encontro semanal de 50 a 60 minutos, com turmas numerosas, 35 a 40 alunos e com uma infraestrutura precária.

Mas o que a disciplina pode trazer de benéfico para o aluno?
O verdadeiro valor da Educação Física escolar ficará em relevo quando ela se transformar em disciplina, ou seja, quando adquirir o mesmo valor das outras matérias do currículo, quando ela criar seu próprio conteúdo e tiver autonomia para aplicá-lo. O corpo de conhecimentos dessa disciplina, segundo o nosso grupo de estudos, são as manifestações da cultura corporal, que devem ser pedagógicas para levá-las para o ambiente escolar: esportes, conhecimentos sobre o corpo, anças, jogos, elementos das artes marciais, ginásticas, elementos das atividades de expressão corporal das artes cênicas, artes circenses, artes musicais e das artes plásticas.

As diretrizes curriculares de Educação Física propostas pelo MEC estão defasadas?
O problema das diretrizes curriculares é que elas ainda procuram o domínio técnico das manifestações da cultura corporal e não o domínio conceitual, que é o onde deveria focar. O domínio técnico exige muito tempo de prática e a aula não tem essa condição, só no espaço extra-aula seria possível. É fora da escola que se encontra a maior riqueza e possibilidades de praticar alguma manifestação cultural que tenha sido vista nas aulas de Educação Física, na forma de vivência. No entanto, esse espaço não pode ser utilizado apenas para a prática dos esportes tradicionais.

Qual a relação entre o voluntariado e a Educação Física? É possível que um estimule o outro?
O grande desafio para a Educação Física no ensino médio é formar agentes socioculturais. Todos os que em algum momento foram técnicos ou professores de alguma modalidade sabem muito bem que os participantes mais avantajados nos auxiliam, assumindo algumas responsabilidades com seus colegas de turma. Capacitar os alunos como agentes socioculturais nos permite a construção de uma cidadania autônoma e participativa. Assumir funções de liderança na escola e na comunidade é transformar o aluno em cidadão soberano, e este deve ser um dos papéis mais importantes da educação física escolar.

Como a cultura e o folclore brasileiro podem ser trabalhados pela Educação Física?
Todas as manifestações da cultura corporal devem ter um espaço nas aulas de Educação Física na escola. Os professores devem pesquisar cada uma das manifestações juntos com os alunos e escolher com quais eles serão analisados e vivenciados. Num pequeno desafio, pense quantos jogos de sua localidade você conhece, ou quantas danças. Mais interessante ainda: as escolas podem ver o mesmo conhecimento, mas o conteúdo ser diferente.

O estímulo aos jogos eleva o desempenho acadêmico dos alunos?
Essa é ainda uma grande questão, já que tudo pode ser visto de forma lúdica e prazerosa e não necessariamente deverá ser um jogo. Para entender melhor o jogo, devemos pensar nos objetivos que estão por trás da atividade. Temos as brincadeiras, que são explorações de uma atividade de forma livre e criativa; temos o jogo consensual, que é uma atividade organizada por normas construídas pelos participantes, as que podem mudar, para adequar-se ao momento e as características do contexto. E finalmente temos os jogos com regras que devem ser assumidas para poder participar.

E qual é a mais importante do ponto de vista acadêmico?
A brincadeira e o jogo consensual são muito mais pedagógicos do que o jogo com regras, já que eles são construídos pelos participantes e adequadas às características do contexto físico e social no qual, nesse momento, o grupo se encontra. Por exemplo, brincar com cordas pode ser um excelente desafio para que os alunos em grupos inventem e criem diferentes brincadeiras, e que depois mostrem suas descobertas aos colegas. Também, pode-se escolher aquelas brincadeiras que sejam mais relevantes para a turma e mostrá-las à comunidade escolar, seja num festival ou evento escolar.

O senhor defende que universidades e escolas brasileiras concedam bolsas de estudo para alunos com bom desempenho em algum esporte, assim como já ocorre nos Estados Unidos? Além disso, o senhor concorda com a necessidade de teste físico no vestibular para Educação Física?
Não concordo com nenhuma das duas. As Universidades devem formar pesquisadores em suas respectivas áreas de atuação, sejam eles professores, engenheiros, advogados, médicos... O professor de Educação Física deve ser um pesquisador das manifestações da cultura corporal de seus alunos e um transformador dessas descobertas em material ou conteúdo para estruturar o currículo escolar. Veja bem, o professor estuda de 3 a 5 anos para se tornar professor pesquisador, com autonomia e poder para transformar seu espaço de intervenção. As escolas não são locais para treinamento, o local do treinamento é o clube ou centro esportivo; a escola deve facilitar o desenvolvimento de todo o potencial do aluno. Mas esse potencial não pode ser somente o esportivo, o artístico também deve ser considerado.


O Globo

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

A educação física escolar mais valorizada

O grande desafio do educador físico não é somente dos dias atuais. Ele já vem há tempos. O professor de educação física vem lutando bravamente para demonstrar que esta disciplina é tão ou mais importante do que as tradicionais como língua portuguesa, matemática, geografia e história, apenas, listando essas para início de argumentação. A educação física tem papel fundamental no desenvolvimento motor, social e cognitivo das crianças.

Mesmo que seja uma matéria obrigatória, a EFI ainda não tem como obrigação o professor da área, ou seja, nas séries iniciais o unidocente é quem ministra. Acredito que esta seja a luta mais importante da categoria no momento. Não se pode negligenciar a importância de quem estudou, se dedicou anos de sua vida, e que pode produzir um resultado melhor junto à classe de estudantes nesta fase. Lembrando sempre que é nesta faixa etária que o período é o mais apropriado para o desenvolvimento das habilidades motoras.

Remontando a história da educação física na escola no Brasil, esta se iniciou de forma controversa. Algumas iniciações formais foram feitas, mas nenhuma com muita convicção e força. Porém, somente, em 1920, a educação física é inserida através dos estados e ainda popularmente conhecida por ginástica. A princípio, a educação física, quando inserida no currículo escolar, era tida como um momento para a prática da ginástica, com a finalidade de deixar o corpo saudável.

No âmbito de modelos pedagógicos da educação escolar, a educação física esteve presente com o embalo do futebol verde-amarelo. Na era ditatorial, fora adotado o modelo esportivista, visando o tecnicismo. Logo após, como contraponto, surgiu o modelo recreacionista – “rolar a bola” e marcar o tempo – sem ter unanimidade, ou melhor, sem ter sido defendido pelo corpo docente.

Creio que essa pecha ficou encravada por muitos anos no seio da educação física escolar. Para libertar desse rótulo não tem sido fácil. Pois, nos dias de hoje, existe quem ainda utilize desse subterfúgio para garantir as horas trabalhadas na escola. Penso que ainda são poucos, mas infelizmente existem.

Felizmente, novas práticas pedagógicas surgem. São novas abordagens introduzidas no meio escolar, onde se destacam a psicomotricidade, a abordagem desenvolvimentista, a abordagem construtivista-interacionista, a abordagem crítico-superadora, a saúde renovada e, por fim, fala-se dos parâmetros nacionais curriculares. Obviamente, esses enfoques não teriam muitas chances de serem construídos sem a redemocratização brasileira. A educação foi beneficiada com novas concepções acadêmicas e oportunidades de reestruturação dos modelos educacionais, onde a educação física está inserida. Portanto, a valorização da disciplina educação física, juntamente com seus profissionais, tem princípio na década de 80.

Com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e com essas mudanças no pensar da educação física, observou-se a complexidade intrínseca e a natureza científica da mesma. Apresentou-se uma ciência específica e que se relaciona com as outras ciências. Conforme os PCNs, a educação física escola deve ser constituída de três espaços que se comunicam. O primeiro é “jogos, ginásticas, esportes e lutas”; o segundo, “atividades rítmicas e expressivas” e, por fim, “conhecimentos sobre o corpo”.

Nesse momento, não iremos aprofundar no entendimento de cada bloco. Essa será matéria para um novo post.

A Educação Física tem uma vantagem educacional que poucas disciplinas têm: o poder de adequação do conteúdo ao grupo social em que será trabalhada. Esse fato permite uma liberdade de trabalho, bem como uma liberdade de avaliação – do grupo e do indivíduo – por parte do professor, que pode ser bastante benéfica ao processo geral educacional do aluno.

Retomando, com o advento e a introdução de novos princípios pedagógicos, a educação física na escola recebe uma nova roupagem. Vai perdendo aos poucos o status do tempo de lazer, tempo de trégua, do rola a bola, enfim, dessas rotulações depreciativas. Destarte, o educador físico passa a ter papel importante dentro dos muros escolares e não apenas do disciplinador, do quebra-galho e de tantas outras funções que não seriam somente exclusividade sua. Por outro lado, a comunidade acadêmica, com seus profissionais, obtiveram ganhos. A sociedade organizada pode usufruir destes avanços específicos. Ao insurgir contra o título de “disciplina menor” entre seus pares de docência escolar ou do simples entregar a “bola”, a EFI teve direito a conquistar o seu devido reconhecimento e respeito, vindo a ocupar o seu espaço dentro do meio estudantil.

Com o aprofundamento de estudos científicos na área, em condições melhoradas em relação à outrora, pode ser oferecido – resguardado as devidas proporções – o que há de melhor em seu conteúdo. A valorização do professor e da instituição escolar gera acesso aos conhecimentos da cultura corporal de movimento para os alunos e cria uma atmosfera propícia no palco da transmissão de conhecimento e do saber.

Conclamo a todos, refletir acerca do ensino da educação física escolar. É preciso que seja multiplicado estas contendas não só em meios escolares, mas por toda a sociedade, para que todos entendam a importância dessa disciplina para seus filhos. A lutar pela inclusão do professor de educação física nas séries iniciais.