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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Resenha de Educação Física e Linguagem: Algumas Considerações Iniciais

O presente trabalho, de Maria Fernanda Telo Ladeira e Suraya Cristina Darido, tem como escopo analisar como a disciplina de educação física se comporta - no momento que os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) para o Ensino Médio a insere – na área das linguagens, códigos e suas tecnologias. Baseadas em obras já publicadas sobre o tema, entrevistas com professores universitários que já tenham manifestações, de alguma forma, que permeassem o tema, as autoras buscaram desvelar este fenômeno. 

Na introdução, as autoras apresentam preocupação como o assunto vem sendo pouco explorado na área da pesquisa quando relacionados a educação física às linguagens. Quando são, conforme estas, contém uma atitude pouco sólida. 

Expõem que a educação física constar no bojo da área não pode ser considerado como uma incoerência; tampouco, uma novidade. Ladeira e Darido ensinam: “Na década de 70 foram lançados os guias curriculares que já incluíam a Educação Física na área de comunicação e expressão e considerava a ‘utilização do próprio corpo como meio de comunicação e expressão’”. Como podemos observar, ela já estava inserida na comunicação e expressão.

No texto, a educação física, em relação aos PCNs, “têm a intenção de sugerir formas de atuação que proporcionarão o desenvolvimento da totalidade dos alunos”. Mais em frente, apresenta o intento de dilatar pelo menos esta aptidão a de tornar possível a compreensão das diversidades culturais corpórea, ressaltando as singularidades dos conteúdos e resultados aos alunos do ensino médio que a disciplina provoca.

Ao adentrar no campo da linguagem propriamente dito - não que até o presente não tivesse sido abordado - as pesquisadoras se apoiam em Faraco. Discorrem sobre o assunto, como esta se articula e como atua. Como ela se apresenta e como é interpretada.

A problematizar relações na linguagem se faz necessário perpassar pela semiótica, uma vez que, esta é a ciência encarregada de estudar todo e qualquer tipo de linguagem. Conforme a pesquisa, sabido e consabido, à semiótica cabe investigar os elementos relacionados aos signos, aos ícones, aos sinais, aos símbolos e às suas dicotomias, como a conotação e a denotação, por exemplo. 

Seguindo, a linguagem corporal é acostada; no caso em tela, se faz de extrema importância conhecer os seus conceitos para se apropriar de suas significações para um melhor entendimento nas questões de importância e objetividade da educação física enquanto saber inserido na área. De forma sucinta, pode se observar que Ladeira e Darido, ao evocar Mesquita (1997), entendem neste formato. “Emitir, receber e perceber os sinais não verbais são processos independentes, ou seja, ocorrem sem que se tenha consciência do que está acontecendo. Estes processos, portanto, são naturais, mas podem se tornar habilidades”. Desta forma, conforme o texto, observa-se que a relação emissário, mensagem, receptor está constituída na formação do profissional. 

Adiante, com a educação física e linguagem, neste ponto, o estudo demonstra que fortemente, se não de configuração absoluta, a educação física é detentora da linguagem não verbal, ou seja, a comunicação corporal, através das mais diversas manifestações do corpo, torna-se presente. “Na perspectiva da reflexão da cultura corporal, a expressão corporal é uma linguagem, um conhecimento universal, patrimônio da humanidade que igualmente precisa ser transmitido e assimilado pelos alunos na escola. A sua ausência impede que o homem e a realidade sejam entendidos dentro de uma visão de totalidade”. Sendo a educação física o estudo do corpo em movimento, nada mais inquestionável do que estas ações são intrínsecas da linguagem não verbal.

A metodologia de pesquisa, como anteriormente referido, pautou-se em revisão da literatura (linguagem, linguagem não verbal e educação física escolar), entrevistas semi-estruturadas com professores especialistas da área, que em seus textos abordaram alguma questão básica sobre linguagem, ainda que não diretamente relacionada à educação física escolar. Nos resultados e discussão, nota-se que, apesar de apenas dois de forma mais consistente dos três entrevistados, além dos outros dois que não puderam responder, trazerem opiniões sobre o tema, o resultado percebido que a área é pobre em estudos e muito mais deve ser realizado.

Ao final, segundo o artigo, fica claro que o processo de comunicação é estabelecido através do corpo, ou seja, a utilização da linguagem não verbal. Ladeira e Darido demonstram preocupação com o tema, pois analisaram que é uma abordagem complexa e necessária para o avanço e desenvolvimento da educação física. Ainda, se fazem necessários mais pesquisas que abordem sobre estes estudos.

De forma concisa, as autoras nos presenteiam com um tema, num primeiro momento, intrigante e que, até segunda ordem, desconexo. Para muitos, quando nos deparamos com a educação física embutida na área das linguagens, códigos e suas tecnologias, logo pensam que só poder ser uma sandice quem a incluiu destarte nos PCNs. Ao se aprofundar no tema e destrinchar, através da semiologia, as inquietações que este assunto carrega, as autoras analisam e descrevem, de forma ímpar, como este fenômeno se torna possível. Com pouco tempo de leitura, já nos tornamos aptos a verificar quais são os aspectos que tornam a nossa área como algo nativo às linguagens. 

Creio que não há o que discordar quando assim se apresenta a comunicação não verbal como meio inexorável à educação física. Esta é corpo em movimento, sendo assim, a sua vocalização não é necessária. O corpo fala por si só.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

A educação física escolar mais valorizada

O grande desafio do educador físico não é somente dos dias atuais. Ele já vem há tempos. O professor de educação física vem lutando bravamente para demonstrar que esta disciplina é tão ou mais importante do que as tradicionais como língua portuguesa, matemática, geografia e história, apenas, listando essas para início de argumentação. A educação física tem papel fundamental no desenvolvimento motor, social e cognitivo das crianças.

Mesmo que seja uma matéria obrigatória, a EFI ainda não tem como obrigação o professor da área, ou seja, nas séries iniciais o unidocente é quem ministra. Acredito que esta seja a luta mais importante da categoria no momento. Não se pode negligenciar a importância de quem estudou, se dedicou anos de sua vida, e que pode produzir um resultado melhor junto à classe de estudantes nesta fase. Lembrando sempre que é nesta faixa etária que o período é o mais apropriado para o desenvolvimento das habilidades motoras.

Remontando a história da educação física na escola no Brasil, esta se iniciou de forma controversa. Algumas iniciações formais foram feitas, mas nenhuma com muita convicção e força. Porém, somente, em 1920, a educação física é inserida através dos estados e ainda popularmente conhecida por ginástica. A princípio, a educação física, quando inserida no currículo escolar, era tida como um momento para a prática da ginástica, com a finalidade de deixar o corpo saudável.

No âmbito de modelos pedagógicos da educação escolar, a educação física esteve presente com o embalo do futebol verde-amarelo. Na era ditatorial, fora adotado o modelo esportivista, visando o tecnicismo. Logo após, como contraponto, surgiu o modelo recreacionista – “rolar a bola” e marcar o tempo – sem ter unanimidade, ou melhor, sem ter sido defendido pelo corpo docente.

Creio que essa pecha ficou encravada por muitos anos no seio da educação física escolar. Para libertar desse rótulo não tem sido fácil. Pois, nos dias de hoje, existe quem ainda utilize desse subterfúgio para garantir as horas trabalhadas na escola. Penso que ainda são poucos, mas infelizmente existem.

Felizmente, novas práticas pedagógicas surgem. São novas abordagens introduzidas no meio escolar, onde se destacam a psicomotricidade, a abordagem desenvolvimentista, a abordagem construtivista-interacionista, a abordagem crítico-superadora, a saúde renovada e, por fim, fala-se dos parâmetros nacionais curriculares. Obviamente, esses enfoques não teriam muitas chances de serem construídos sem a redemocratização brasileira. A educação foi beneficiada com novas concepções acadêmicas e oportunidades de reestruturação dos modelos educacionais, onde a educação física está inserida. Portanto, a valorização da disciplina educação física, juntamente com seus profissionais, tem princípio na década de 80.

Com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e com essas mudanças no pensar da educação física, observou-se a complexidade intrínseca e a natureza científica da mesma. Apresentou-se uma ciência específica e que se relaciona com as outras ciências. Conforme os PCNs, a educação física escola deve ser constituída de três espaços que se comunicam. O primeiro é “jogos, ginásticas, esportes e lutas”; o segundo, “atividades rítmicas e expressivas” e, por fim, “conhecimentos sobre o corpo”.

Nesse momento, não iremos aprofundar no entendimento de cada bloco. Essa será matéria para um novo post.

A Educação Física tem uma vantagem educacional que poucas disciplinas têm: o poder de adequação do conteúdo ao grupo social em que será trabalhada. Esse fato permite uma liberdade de trabalho, bem como uma liberdade de avaliação – do grupo e do indivíduo – por parte do professor, que pode ser bastante benéfica ao processo geral educacional do aluno.

Retomando, com o advento e a introdução de novos princípios pedagógicos, a educação física na escola recebe uma nova roupagem. Vai perdendo aos poucos o status do tempo de lazer, tempo de trégua, do rola a bola, enfim, dessas rotulações depreciativas. Destarte, o educador físico passa a ter papel importante dentro dos muros escolares e não apenas do disciplinador, do quebra-galho e de tantas outras funções que não seriam somente exclusividade sua. Por outro lado, a comunidade acadêmica, com seus profissionais, obtiveram ganhos. A sociedade organizada pode usufruir destes avanços específicos. Ao insurgir contra o título de “disciplina menor” entre seus pares de docência escolar ou do simples entregar a “bola”, a EFI teve direito a conquistar o seu devido reconhecimento e respeito, vindo a ocupar o seu espaço dentro do meio estudantil.

Com o aprofundamento de estudos científicos na área, em condições melhoradas em relação à outrora, pode ser oferecido – resguardado as devidas proporções – o que há de melhor em seu conteúdo. A valorização do professor e da instituição escolar gera acesso aos conhecimentos da cultura corporal de movimento para os alunos e cria uma atmosfera propícia no palco da transmissão de conhecimento e do saber.

Conclamo a todos, refletir acerca do ensino da educação física escolar. É preciso que seja multiplicado estas contendas não só em meios escolares, mas por toda a sociedade, para que todos entendam a importância dessa disciplina para seus filhos. A lutar pela inclusão do professor de educação física nas séries iniciais.